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Incêndios no Pantanal cercam rodovias e destruição chega a 950 mil hectares no ano

Fogo avança pela região, ainda não totalmente recuperada da onda recorde de queimadas de 2020, e ameaça unidades de conservação e refúgios de onças-pintadasjpg-1-6-1024x512

“O Pantanal segue como segundo plano, lamentavelmente” criticou Angelo Rabelo | Foto: Força Nacional de Segurança Pública / Agência Brasil / CP

 

Os incêndios que consomem o Pantanal atingem desde a quarta-feira, 15, as duas margens da Rodovia Transpantaneira, em Poconé, no Mato Grosso. A estrada cruza todo o Pantanal matogrossense e é o único acesso por terra para fazendas, pousadas e vilas da região, no sul do Estado. As chamas, concentradas na região de Porto Jofre, às margens do Rio Cuiabá, na divisa com o Mato Grosso do Sul, são combatidas por terra e pelo ar, com o uso de aeronaves.

A região da Transpantaneira já foi atingida pelos incêndios em 2020. Além de equipes do Corpo de Bombeiros, brigadistas das fazendas e voluntários combatem as chamas. A estrada é de terra e o risco é de o fogo atingir e destruir as pontes de madeira. De acordo com a ONG É o Bicho MT, algumas pousadas da região atingida pelas chamas são pontos estratégicos para observação de onças-pintadas, espécie ameaçada de extinção.

Conforme o Corpo de Bombeiros, este ano está sendo considerado atípico devido à falta de chuvas e às ondas de calor que atingem a região, favorecendo a propagação das chamas. Na terça-feira, 14, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, esteve em Cuiabá para verificar a situação do bioma e oferecer apoio. No mesmo dia, o governo do Mato Grosso publicou um decreto de emergência ambiental válido por 60 dias.

Em Mato Grosso do Sul, os incêndios atingem áreas de proteção ambiental do Pantanal Sul e também dificultam o acesso por rodovias. Na BR-262, em Corumbá, motoristas enfrentavam corredores de fogo na manhã desta quinta-feira, 16. Em alguns trechos, a fumaça encobria totalmente a estrada.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que monitora a situação das rodovias no Pantanal, sinalizando os pontos críticos.

O fogo avança pela região, ainda não totalmente recuperada da onda recorde de queimadas de 2020, e ameaça unidades de conservação e refúgios de onças-pintadas.

A resposta da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à crise das queimadas na Amazônia tem sido alvo de críticas. O próprio governo federal admitiu que a estrutura de combate ao fogo é insuficiente. Para o Pantanal, o Ministério do Meio Ambiente diz ter enviado mais brigadistas e promete reforço de aeronaves.

“O fogo cresce de maneira assustadora. Tivemos fatores, como tempestade de raios, que agravaram o cenário, mas a verdade é que temos uma estrutura de combate a incêndios aquém do necessário. O combate a pé, a despeito da força e da coragem dos brigadistas, é humanamente impossível”, reclamou na semana passada Angelo Rabelo, presidente do Instituto Homem Pantaneiro.

“O Pantanal segue como segundo plano, lamentavelmente. Temos de ter uma agenda de equilíbrio dos biomas. Um não pode ser salvo em detrimento do outro”, criticou na oportunidade.

Fogo consome 7% do Pantanal
Em todo o Pantanal, nos dois Estados, as chamas já consumiram quase 1 milhão de hectares este ano, segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os dados do Lasa indicam que, de janeiro até esta semana, o fogo consumiu uma área equivalente a 7% do Pantanal. No total foram queimados 950 mil hectares, três vezes mais do que no mesmo período de 2022, quando os incêndios atingiram 316 mil hectares. Apenas em novembro, já são mais de 2,3 mil focos.

Nesta quinta-feira, segundo o governo estadual, 200 servidores estaduais e federais atuavam no combate ao fogo em oito frentes, no Mato Grosso do Sul. Em algumas regiões, as chamas persistem há mais de uma semana, favorecidas pela estiagem, calor e ventos fortes. No Passo da Lontra, em Piranhas, a linha de fogo avançou 50 quilômetros em cinco dias.

Aeronaves do Grupo de Operações Aéreas, bombeiros e Polícia Ambiental atuam em áreas de difícil acesso. “Em algumas regiões, como Paiaguás, na divisa com o Mato Grosso, os bombeiros militares só chegaram em aeronaves, pois o acesso por terra é quase impossível”, disse a tenente-coronel Tatiane Inoue, chefe do Centro de Proteção Ambiental da corporação. O fogo deixou um rastro de aves e pequenos animais mortos, mas ainda não foi feito um levantamento da fauna atingida.

 

Correio do Povo

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